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Crítica Parasita: O filme coreano que vai te deixar angustiado!

Um dos indicados a melhor filme no Oscar 2020, Parasita nos mostra uma análise entre as classes sociais que existem, com uma história criativa e perturbadora

Não é de agora que o cinema sul coreano nos é apresentado de uma maneira estrondosa, basta lembrar de alguns títulos como: Oldboy( 2003), Invasão Zumbi ( 2016),Okja ( 2017), 26 years ( 2012), são alguns dos inúmeros títulos de sucesso de um estilo de cinema próprio que a cada dia se sobressai comparado ao mercado americano. Com produções ousadas sem medo de provocar e instigar o espectador com pontos de vistas que deixam as pessoas acostumadas apenas com o padrão americano, horrorizadas com tamanha audácia, especialmente nos finais de seus filmes. E, Parasita( Parasite em inglês e Gisaengchung em sul- coreano) entra nessa categoria com uma trama sobre crítica social elevada a uma história criativa que vai te prender na cadeira.

QUAL A HISTÓRIA DESSE FILME? SURPREENDE?

O diretor Bong Joon-ho, que já havia se apresentado ao público com produções como: O Hospedeiro( 2006), Okja( 2017) e O expresso do amanhã( 2013) tem esse grande espírito de surpreender durante a trama de seus filmes por mais simples que eles possam parecer e em Parasita uma história que começa devagar e vai se elevando com uma sucessão de fatos que com o passar dos minutos, o espectador fica se perguntando: ” Onde tudo isso vai parar?” e um palpite simples sobre o desfecho parece ser muito improvável, praticamente impossível de se adivinhar. Tudo isso graças a um roteiro coeso e personagens que não são heróis, mas mesmo assim você passa a torcer por eles.

Falar sobre a trama de Parasita é uma tarefa bem arriscada, o motivo é que esse texto não terá spoilers sobre o desfecho nem o andamento do filme, então para atiçar a curiosidade apenas a história básica da básica merece ser contada.

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Uma família de classe bem baixa vive uma região da periferia da Coréia, se sustentando apenas com base em um pequeno negócio que eles possuem de confecção e venda de caixas de pizza para alguns estabelecimentos próximos de lá, esse trabalho paga pouco para todos eles, sendo a única forma de sobrevivência. A família é composta por o pai, Ki-Taek (Kang-Ho Song, figura carimbada nos filmes de Bong Jooh- ho), a mãe Chung-Sook (Hyae Jin Chang), o filho caçula Ki-Woo (Choi Woo-shik) e a filha Ki-Jung (Park So-Dam), os quatro fazem a diferença em seus papéis e cada minuto de filme se percebe o dedo do diretor na escolha acertada de cada um deles.

História simples até o momento? Mas tudo muda quando um amigo de Ki-Woo chega para visitá-los e convoca o caçula para ser tutor de inglês em uma família de classe altíssima, mais precisamente da filha do milionário Donk-Ik Park(Lee Sun Gyun), sabendo que o garoto não tem ainda formação para tal área e sabendo da necessidade da família em ter uma boa renda, eles acabam forjando o diploma e suas habilitações, graças a especialidade da irmã Ki- Jung na área. E assim, ele passa a dar aulas na mansão e ao mesmo tempo arma um plano ousado que vai se expandindo ao longo do filme. E é a partir desse momento que a trama não merece ser mais dita, apenas apreciada até o fim angustiante.

MERECE TODAS AS INDICAÇÕES AO OSCAR?

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A primeira parte de Parasita é praticamente uma comédia social, mostrando as dificuldades da família e ao mesmo nos apresentando as diferenças gigantescas que existem entre as classes, não apenas no quesito financeiro, mas também no comportamento em certos momentos, retratados na questão do cheiro( apenas se assistir vai entender de fato essa parte).

Mas com o passar do tempo a partir do ponto em que o filme mostra de fato a que veio, você espectador nota que essa diferença entre classes é sentida no comportamento das pessoas. Não importa se tem dinheiro, uma boa vida e se de fato é uma pessoa que se apresenta a sociedade como o oposto de tudo isso. No fim se nota, que a diferença entre todos eles não é tão grande assim.

Todo o roteiro é bem amarrado e construído para deixar o público sem saída no que pode acontecer até o final da história, e a cada ator carrega como nunca o seu personagem, juntamente com a audácia da direção que parece fazer tudo aquilo que não esperamos para cada ação dos protagonistas.

Parasira venceu no Festival de Cannes e como melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro e merece sim de fato todas essas indicações e premiações pelo simples fato de ser o que queremos ver em filmes do gênero. A ousadia em contar uma história sem se prender aos padrões pré- estabelecidos, especialmente no cinema norte- americano. Viva o cinema sul- coreano!

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