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X-MEN: FÊNIX NEGRA | VALE A PENA?

X-Men: Fênix Negra tenta deixar a megalomania de lado em favor de uma estória mais simples.

Antes de tudo, é preciso dizer que essa crítica contem SPOILERS!!

A franquia X-Men pelas mãos da FOX chega ao fim em X-Men: Fênix Negra. Dezenove anos depois de fazer a sua estréia. Os Filhos do Átomo passaram por diversos momentos, entre filmes considerados praticamente obras cinematográficas, até aberrações que deveriam ser excluídas da existência. Mas não se pode negar o seu valor para o que temos hoje como “Gênero de Super Herói” no cinema. Afinal, sem os X-Men, mais precisamente, sem X-Men 2 (2003). Hollywood não teria aceitado que era possível obter lucros adaptando histórias em quadrinhos. Sim, o caminho não foi fácil e precisamos passar por filmes com qualidade duvidosa, não só na franquia mutante. Até que a Marvel, junto do império Disney surgisse a 11 anos atrás, para mostrar uma formula que funciona. Culminando no segundo filme de maior bilheteria da história. Vingadores: Ultimato (até o momento dessa crítica ainda não ultrapassou Avatar).

É difícil dizer exatamente qual foi o momento em que o público em geral. Assim como a crítica especializada, notaram a fragilidade e incosistência que a franquia dos X-Men passava nos cinemas. Porque mesmo com os problemas depois de seu terceiro filme. E com o “reboot” de Matthew Vaughn.

A franquia parecia ter encontrado um novo caminho.

No entanto, os executivos da FOX possuíam outros planos e tivemos um filme inteiro para apagar os problemas de cronologia. (que na verdade só criou mais furos). E por fim, um filme que tinha tanta megalomania que acabou desagradando a praticamente todos. Problemas internos, venda da FOX para a Disney e um roteirista sem experiência com direção. Com a tarefa de encerrar a franquia que trouxe uma das equipes mais importantes da história para a sétima arte nos levam a X-Men: Fênix Negra.

X-Men: Fênix Negra
Fox Film do Brasil/Divulgação

O filme.

Na estória, é 1992. Os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier (James McAvoy). Agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Mas quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderados por Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera (Nicholas Hoult), Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). No entanto, ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres.

O roteiro é simples e direto, e parece seguir estritamente as regras de como fazer um roteiro de cinema clássico. Logo de cara é mostrado o dia em que Charles recruta a jovem Jean Grey para sua escola. Assim como a missão espacial na qual ela é exposta a Força Fênix. Com isso, a personagem de Jessica Chastain e seu objetivo na trama também são mostrados, no qual sua raça é a dos D’Bari. Tão clássicos quanto os Skrull e os Kree. E sua missão é se apossar da Força Fênix, na qual destruiu o seu planeta, e utiliza-lá para destruir os humanos, tornando a Terra seu novo lar.

X-Men: Fênix Negra
Fox Film do Brasil/Divulgação

Problemas.

É e aqui a onde mora o maior problema do filme, as introduções a Força Fênix, aos D’Bari e aos conflitos que irão permear até o final é rasa. É compreensível quando percebemos que a estória é sobre Jean, mas o roteiro se beneficiaria e muito aprofundando no que exatamente é a Força Fênix. O que os D’Bari passaram para chegar aquelas medidas drásticas. E qual a motivação individual, assim como geral, dos X-Men para agirem de tal forma em certas cenas (a morte da Mística não consegue ser uma motivação forte o suficiente).

Outro problema fica por conta da direção, foi concedido a Simon Kinberg uma missão dificílima e praticamente impossível. Assumir o posto deixado por Bryan Singer (envolto em polêmicas sobre abuso sexual e estrupo de menor). Polêmicas essas que precisamos deixar de lado e falar apenas no trabalho de direção, no qual Singer sempre foi habilidoso e inventivo. Tais habilidades não foram herdadas por Kimberg, que se esforça bastante. Mas suas cenas de ação são um pouco travadas e não possuem tanta ousadia. No entanto, o diretor consegue alguns planos interessantes nas cenas de diálogo, em particular uma cena de Magneto e Jean. No qual é notável o controle da situação por parte de Magneto e como Jean realmente não sabe o que fazer. Para, mais a frente os momentos se inverterem.

X-Men: Fênix Negra
Fox Film do Brasil/Divulgação

Acertos

Mas é preciso falar dos acertos, a simplicidade da trama definitivamente ajuda, e faz o filme como um todo ser mais agradável. Kimberg optou por simplificar tudo e ser direto ao ponto, mas sem perder o entretenimento e deixar o ritmo cair. Os efeitos especiais estão bons (em alguns momentos estão ótimos), e mesmo as cenas de ação sendo um pouco travadas, não atrapalham e a escala condiz com o filme.

As atuações também são um ponto positivo, James McAvoy e Michael Fassbender dominam o filme. Tamanha suas presenças em cena, assim como o fato de estarem a vontade no papel. Sophie Turner possui bons momentos, principalmente ao lado de Jessica Chastain. Que apesar de possuir pouco aprofundamento e uma personagem sem expressões, consegue fazer muito. Nicholas Hoult, Jennifer Lawrence, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Evan Peters e Kodi Smit-McPhee aparecem muito bem nos poucos momentos de destaque. Mas acabam deixando um gostinho de quero mais e a certeza de que se o reboot por parte da Marvel não fosse certeiro. Todos iriam crescer nos papéis.

X-Men: Fênix Negra
Fox Film do Brasil/Divulgação

Concluindo.

Fênix Negra não possuí a grandiosidade e a ousadia que os X-Men já demonstraram nos cinemas. E acaba também não possuindo uma trama de encerramento para a franquia. No entanto, tudo isso colabora para um filme mais simples e principalmente, honesto. No final, ele te entretem (o que é o primeiro papel de qualquer filme), mas acima de tudo, tráz uma estória concisa, fechada, bem atuada e filmada. Pode não ser o grande filme, ou o grande final que muitos desejam para os X-Men. Mas precisamos nos lembrar de uma frase importante do Professor Charles Xavier.

“Mutação, é a chave para nossa evolução. Ela nos permitiu evoluir do organismo de uma única célula até à espécie dominante no planeta. Esse processo é lento e normalmente leva milhares e milhares de anos. Mas, a cada centena de milênios, a evolução dá um salto para a frente.”

A evolução não pode ser controlada, e é isso o que os Filhos do Átomo irão passar com o controle da Marvel. No qual provavelmente não existiria se não fossem trazidos para a tela grande lá em 2000.

A nota é 3,5 de 5.

Já conferiu a nossa matéria especial sobre como os X-Men podem entrar para o UCM? Não? Confira aqui.

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