CORINGA (JOKER) – VALE A PENA?

Um dos maiores vilões da cultura pop dos cinemas volta as telonas, agora trazendo uma origem, nos ajudando a entender todos os transtornos que o personagem sofreu, e como a sociedade o agrediu tanto fisicamente quanto psicologicamente, ao ponto de se transformar em uma das figuras sociopatas mais famosas da história do cinema. Será que essa nova investida da DC trazendo uma história única e fechada funcionou?

O que agrada em certa parte as atitudes do Coringa desde sua criação nas hqs e sua inclusão no universo das telonas, são sempre as suas atitudes que vão ao oposto dos vilões propriamente ditos: suas atitudes são em suma imprevisíveis e caóticas, fazendo com que ele fuja dos padrões de personagens querendo conquistar o mundo com motivos banais, e é aqui que o diretor Todd Philips começa a montar um roteiro que faz ao mesmo tempo que passamos a compreender as ações que o Coringa irá provocar ao longo de sua jornada e não necessariamente, que iremos compartilhar aquelas idéias, é algo bem interessante e intrigador como a loucura e ações na cabeça do personagem vão se montando.

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A história mostra Arthur Fleck, um sujeito que trabalha como palhaço em uma Gotham City completamente devastada e abandonada, que passa a sua vida cuidando da única pessoa que lhe resta, sua mãe. Ao mesmo tempo, em que ele começa a ser banido e maltratado pela sociedade, como perdendo o emprego e vendo tudo desmoronar, tudo de ruim que vinha guardando para si mesmo começa a florar, trazendo consigo uma pessoa amargurada que tomado pela fúria se torna algo que pode a vir tornar a cidade para alguns uma salvação e para outras uma maldição.

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O grande mérito desse filme é fazer um estudo bem complexo e detalhado sobre a mente desse personagem e simultaneamente, quando o espectador o conhece até de certa forma muito bem, tem aquele ar de mistério que faz com a trama se torne ainda mais imprevisível. Quais atitudes ele irá tomar? Seriam aquelas extremas ou ainda restaria um pouco de noção na cabeça daquela pessoa? A cada atitude que vai tomando, tudo vai fortalecendo aquela mente doentia e perversa nas formas mais inimagináveis possíveis.

Precisamos falar da grande e absurda atuação de Joaquim Phoenix, a forma como ele se expressa, como se sente ao lado de sua mãe, toda a angústia que passa a sentir a cada momento onde pensa que sua vida está indo de certa forma ao fundo do poço, mas o mesmo tempo sempre tem o pensamento que deve sorrir para outras pessoas, trazendo assim esperança para as mesmas, mas para si mesmo é algo que não o ajuda, seja com medicamentos ou com tentativas de socializar com as pessoas em volta, tudo isso é tão bem demonstrado e sutilmente feito com maestria por Phoenix, que sinceramente, não existem motivos para que a estatueta de Oscar não esteja em sua estante no próximo ano.

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A fotografia do filme é muito bem demonstrada, trazendo cores um pouco mais sem graça no início, sejam pelas roupas do personagem, e seja pela luminação dessa Gotham e até os momentos finais do filme, onde tudo muda e ele se torna mais confiante em seus objetivos, passando a usar cores mais vibrantes e na mesma medida e tempo a ambientação e suas cores mudam o astral, tudo isso é trabalhado da forma que pode perceber de cara, sem o roteiro lhe dizer propriamente naquela hora.

Coringa é uma obra de arte que os filmes de Hq já produziram, entendemos de fato a mente de um sociopata em construção e ficamos chocados com o que uma pessoa pode fazer a partir da sociedade que o molda. E entender não quer dizer que compartilhamos e concordamos com tais atitudes. Apenas notar que um indivíduo enlouquece quando todos o abandonam e deixam para trás.

Nota: 10,0

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